Orientação

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A necessidade de caçar ou buscar alimentos longe de sua habitação fez com que o homem desenvolvesse estratégias que lhe possibilitassem retornar. Por detalhes marcantes do terreno e mais tarde, utilizando-se da posição dos astros, pode o homem contar o tempo e orientar-se em caminhos cada vez mais distantes. Observando o movimento do sol e das estrelas puderam determinar os pontos cardeais – norte, sul, leste, oeste – elementos básicos de qualquer sistema de navegação. Isso milhares de anos antes do nascimento de Cristo.

Há dois mil anos, os chineses inventaram a bússola, a partir da observação do comportamento de uma barra de magnetite sobre um pedaço de madeira posto a flutuar na água. Como bons navegadores os chineses souberam utilizar-se do fenómeno natural e terem seus juncos munidos de bússolas rudimentares.

Na época das grandes explorações, séculos XV e XVI, as técnicas de orientação foram progressivamente se aperfeiçoando e difundindo, pela necessidade dos navegadores de percorrer milhares de quilómetros em alto mar. Situação esta onde a bússola e o sectante não permitiam determinar as coordenadas exactas. Como desporto, a Orientação surgiu por volta de 1850, na Escandinávia. O que era actividade de treino essencial para o deslocamento em guerra transformou-se num meio de entretenimento para as tropas. Pouco depois o “jogo” já havia se espalhado e clubes foram sendo criados. Competições foram sendo organizadas sob as mais diversas formas e objectivos, sendo que em 1912, Foi pela mão do Major Killander de nacionalidade sueca e líder escoteiro introduziu a Orientação no programa da Federação Sueca de Atletismo e a Orientação desportiva começou a dar os primeiros passos. Tendo como base o desdobramento da distância da Maratona por três provas, adicionou-lhe a componente de leitura de carta e a percepção da Orientação Em 1919 tem lugar a primeira competição oficial de Orientação, numa prova de 12km e apenas 3 pontos de controle.

A extraordinária adesão dos jovens motivou o primeiro Campeonato Nacional na Suécia em 1922 (Mendonça, 1987).
Portugal aderiu à prática desta actividade desportiva por volta de 1973 (primeiro Campeonato das Forças Armadas em Mafra), mas só em 1987, com a formação da Associação Portuguesa de Orientação (APORT), se começam a promover alguns encontros e se começam a produzir os primeiros mapas adequados à sua prática obedecendo às normas da Federação Internacional (I.O.F. - International Orienteering Federation) (Oliveira, 1993).

Pode considerar-se o ano de 1984 como o início da prática da Orientação no meio civil em Portugal. Até à data, a prática da modalidade era restrita aos militares que, até há relativamente pouco tempo, ainda eram as maiores presenças nas provas do nosso país.

Em Novembro de 1990, é criada a Federação Portuguesa de Orientação (F.P.O.) e Portugal passa de mero espectador a praticante activo, tomando-se membro da I.O.F. e participando desde então, não só em Campeonatos do Mundo (1991 - Checoslováquia; 1995 - Alemanha; 1999 - Escócia), como em outras importantes competições internacionais.

A Orientação é praticada, em Portugal, nas seguintes disciplinas diferentes: Orientação Pedestre, Orientação em BTT, Corridas de Aventura e Trail Orienteering, este último prioritariamente para deficientes motores. Todavia, para além destas disciplinas com quadros competitivos nacionais e internacionais, são também organizadas provas de Orientação a cavalo, em canoa, etc.. As provas de Orientação são regra geral realizadas durante o dia. Contudo, há também provas nocturnas com grande adesão de participantes.

O que é um percurso de Orientação

Consiste numa caminhada por um percurso totalmente desconhecido dos participantes, sendo, no entanto balizado e identificado numa carta topográfica e em que os participantes podem dispor de uma bússola. Esse percurso de orientação é representado por uma partida, uma série de pontos de controle identificados por círculos no mapa, unidos por linhas rectas e numerados na ordem pela qual devem ser visitados, e por uma meta.
Os círculos dos pontos de controle têm como centro o objecto ou característica de terreno que tem de ser encontrada. Existe uma sinalética que define a natureza desse objecto ou característica. No terreno, uma baliza marca o local que o 'Orientista' tem de encontrar.

Para provar que um ponto de controle foi visitado, o 'Orientista' utiliza um sistema de identificação electrónica (Chip SI) que é transportado preso num dedo e que será introduzido numa estação electrónica que se encontra junto à baliza (ou um cartão de controle caso esteja a ser usado um sistema de perfuração - picotador, também conhecido por 'alicate').

Num percurso tradicional de orientação, terão de ser visitados todos os pontos de controle sob pena de desclassificação. O percurso a seguir entre os pontos de controle não está definido, e é decidido por cada participante. Este elemento de escolha do percurso e a capacidade de se orientar através da floresta, são a essência da orientação.

A maioria das provas de orientação utilizam partidas intervaladas para que o 'orientista' tenha a possibilidade de realizar as suas próprias opções. Mas existem muitas outras formas populares, incluindo estafetas e provas onde o objectivo é encontrar o máximo de pontos de controle num determinado tempo.
Na partida, cada praticante recebe um mapa onde estão marcados pequenos círculos que correspondem a pontos de controlo, materializados no terreno pelas "balizas" (prismas de cores laranja e branca), que estão acompanhadas de uma estação electrónica (e/ou um pequeno picotador). Introduzindo o seu identificador (ou picotando o seu cartão de controlo) o praticante comprova a passagem por cada ponto.

EQUIPAMENTO E SEGURANÇA


Equipamento Colectivo

Balizas de Sinalização; Alicates Marcadores; Mapas e Bússolas.

 

Equipamento Individual

Recomenda-se calçado e roupas adequadas a caminhadas em terrenos incertos e inclinados.

 

Segurança: Rádio de Comunicação; Kit de Primeiros Socorros.