Antárctida 2009
A expedição à Antárctida é um projecto que nasceu em Junho de 1995, quando remava em formação junto com os meus colegas  no Pólo Norte, nessa altura dirigíamos para o Glaciar de Norden Skiol
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num mar de "azeite" dito por quem navega e foi nesse enquadramento de uma policromia inesquecível, entre gelo e fogo do laranja reflectido pelo sol da meia-noite que disse ao meu colega Costa Motta uma frase que nunca mais esqueci e me persegue desde então: "Agora é o Sul!".

Em 1999 começámos com o novo projecto aos mares do sul, porém algumas dificuldades impostas nomeadamente pela crise económica que nos açulou a todos, impediu de conseguir os patrocínios, em 2001 o projecto ficou  congelado.

Em 2006 em conversa com Filipe Palma que já tinha navegado nos mares do Sul, decidimos descongelar o que tinha ficado na prateleira durante todo esse tempo e juntámos experiencias tornando o Sul 2009 uma expedição digna nas nossas terras lusas.

Desta vez não vamos resignar a circum-navegação da Deception Island acima dos 63ºS de Latitude, a ideia de pormos os nossos pezinhos no caldo quente da ilha vulcânica em terras gélidas do Sul, fazia de nós uns frouxos e a barba que eu porto faz mais sentido, tela cheia de gelo, por tanto irmos mais para sul para baixo dos 65º S, com dez etapas com uma media de 20 a 25 km diários, perfazendo no total cerca de 280km de mares gelados, põem-se uma dificuldade estrema digna de por a prova os nosso desafios.
 
Será que somos inconsequentes?

Talvez não…

A equipa é constituída por 4 canoistas um mergulhador um piloto um skipeer um jornalista e um camaramen.

A embarcação que temos como base de apoio é um veleiro de casco de alumínio,   como em todos nossos projectos anteriores, assim chamamos mais a nossa alma de navegadores.

Os nossos objectivos é fazer uma expedição em Kayak em autonomia total o mais a Sul possível, os primeiros portugueses e talvez os primeiros canoistas a mergulhar nos mares do sul por baixo dos icebergues e filmar toda a vida animal em terra e no mar e dar  conhecer o nosso projecto através de um programa televisivo com objectivos culturais.

 Estamos a desenhar para o efeito através da SIPRE novos Kayaks com vários sistemas de segurança inovadores, para os ventos repentinos, apesar do modelo de embarcação ser a mesma que usamos há 12 anos atrás Kayaks  Big Sea II.

Está em estudo neste momento a possibilidade de termos um balão de ar quente com um sistema de biplace em tandem suspensos, fazendo parte dos objectivos voar por cima dos gelos na Antárctida, além de usar como plataforma estável para filmagens aéreas e permitir uma aproximação silenciosa das clonais de pinguins sem os perturbar.

Temos como riscos principais os ventos ciclónicos repentinos de força 7 a 11 da escala Beaufort (valores de 28 a 64 nós) que transforma os  nossos Kayaks em simples folhas ao vento, o próprio mar num estado de congelação a que se da o nome de Banquisa forma placas de gelo (floes) de vários metros de diâmetro que se vão tornando cada vez maiores e deixando um interminável labirinto de canais por dezenas ou centenas de km, este fenómeno pode fazer com que nos obrigue a alterar o trajecto, ou até mesmo inviabiliza-lo, outro perigo são as paredes de gelo de 30 a 40m de altura chamados Iceshelf  cobrindo varias dezenas de km de costa, navegar juntos a essas paredes é um risco demasiado elevado pela possível queda das mesmas, e se não nos cair nada em cima ao estilo dos galeses que tinham medo que o céu lhes desabasse, no mínimo somos absorvidos pela onda, que a queda provoca, para evitar tal, navegar ao largo também não é bom, pois a alteração brusca dos ventos para rajadas ciclónicas e por nos encontrarmos  mais expostos, pode rapidamente virar uma embarcação ou no mínimo leva-la para onde não queremos ir, tipo alto mar, sem falarmos da consequente queda brusca da temperatura até aos -40,

Na fauna temos o Foca-Leopardo Hydrurga Leptonix do tamanho do kayak, que já conta no seu currículo algumas fatalidades humanas, ou seja, nós na sua ementa, e que segundo parece costuma sentir-se atraída por todo tipo de embarcações pequenas e coloridas.

Não sei porquê, mas sinto-me uma minhoca no anzol do kayak…

As orcas, apesar de não haver conhecimento dos mesmos registos sempre fazem nos esquecer que precisamos de respira de vez em quando.

Neste momento estamos no ponto do não retorno do projecto,   pois avista-se um ano de muito treino em Portugal e no estrangeiro assim como todos processos burocráticos e formalidades necessárias.

Parte da equipa já teve formação em 2006 em Penn State University na Pensilvânia numa formação de Wilderness First Aid dado pela Solo, formação essa obrigatória a nível de socorrismo nos U.S.A. para expedições ao continente  antárctico.

Um dos nosso companheiro de expedição José Miguel Sacramento partiu no passado dia 30 de Setembro para Buenos Aires com destino a Ushuaia com o objectivo de tratar da contratação do veleiro assim como todas as formalidades necessárias para o projecto.

Tenho tido muitos trabalhos comerciais a nível do turismo activo em Portugal em diversas áreas, mas garanto que a expedição a Antárctida já começou em 1999, este tipo de desafios, não são só quando pomos os pés no kayak, mas começa a partir do momento que adquirimos os mapas e começamos entusiasticamente a traçar as varias etapas e toda a logística envolvente, a colocação do kayak nos mares gelados é só a realização de todo o projecto. Quando sinto o gelo na barba tomo consciência que já não e no papel e a partir de agora é a sério.